Cada item começa sem resposta e só entra no texto depois que você marca Sim ou Não. O que ficar sem marcar não aparece.
Escala mMRC de dispneia
Clique no grau que descreve o paciente.
Corte para sintomas relevantes no GOLD: mMRC ≥2, equivalente a CAT ≥10. O CAT tem 8 itens de 0 a 5, total de 0 a 40, e é preferível por avaliar mais do que dispneia.
Leitura em 5 passos
- Qualidade primeiro. Curvas aceitáveis e reprodutíveis, início abrupto, sem tosse no primeiro segundo, platô no fim. Exame ruim não se interpreta.
- Relação VEF₁/CVF. Abaixo do limite inferior da normalidade (z < −1,64) define obstrução. O corte fixo <0,70 é o critério do GOLD para DPOC, mas superestima obstrução em idosos e subestima em jovens.
- CVF. Reduzida com relação normal ou alta sugere restrição, que só se confirma com CPT abaixo do LIN na pletismografia.
- Gravidade pelo VEF₁ pós-BD (% do previsto).
- Resposta ao broncodilatador.
| VEF₁ % previsto | Gravidade |
| ≥ 80% | Leve |
| 50% a 79% | Moderada |
| 30% a 49% | Grave |
| < 30% | Muito grave |
Prova broncodilatadora
- Critério clássico, mantido pelo GINA: aumento de VEF₁ ou CVF ≥12% e ≥200 mL em relação ao basal.
- Critério ATS/ERS 2022: aumento >10% do valor previsto de VEF₁ ou CVF.
- Resposta positiva apoia asma, mas resposta negativa não exclui; repita fora de crise ou após retirada temporária do broncodilatador.
Padrões
| Obstrutivo | VEF₁/CVF baixo, CVF normal ou pouco reduzida |
| Restritivo | CVF baixa, VEF₁/CVF normal ou alto, CPT reduzida |
| Misto | VEF₁/CVF baixo com CPT reduzida |
| Inespecífico | VEF₁ e CVF baixos, relação normal, CPT normal |
Variabilidade excessiva do PFE (>10% em adultos) ou melhora do VEF₁ >12% e 200 mL após 4 semanas de corticoide inalatório também confirmam limitação variável ao fluxo.
Tratamento de manutenção em adultos e adolescentes (≥12 anos)
Duas trilhas. A escolha da trilha é feita antes do degrau e o paciente permanece nela ao subir ou descer.
Trilha 1 (preferencial) resgate = CI-formoterol
| Degrau | Manutenção |
| 1 | Nenhuma. Só CI-formoterol dose baixa se necessário (AIR) |
| 2 | Nenhuma. Só CI-formoterol dose baixa se necessário (AIR) |
| 3 | CI-formoterol dose baixa diário (MART) |
| 4 | CI-formoterol dose média diário (MART) |
| 5 | Acrescentar LAMA. Fenotipar e considerar biológico. CI-formoterol dose média/alta |
Resgate em todos os degraus: CI-formoterol dose baixa. Máximo de 12 inalações de budesonida-formoterol 200/6 por dia em adultos (8/dia em crianças de 6 a 11 anos). Acima disso, avaliação médica.
Degrau 1 ou degrau 2 na Trilha 1
O remédio é o mesmo nos dois: CI-formoterol dose baixa apenas se necessário, sem manutenção diária. O que separa um do outro é a frequência dos sintomas, e isso pesa na hora de descer o degrau ou de converter o paciente para a Trilha 2, onde os dois degraus têm tratamentos diferentes.
| Degrau | Quando | Equivalente na Trilha 2 |
| 1 | Sintomas menos de 2 vezes por mês, sem despertar noturno e sem fator de risco para exacerbação | CI dose baixa sempre que usar SABA, ou CI-SABA se necessário |
| 2 | Sintomas 2 vezes por mês ou mais, mas em menos de 4 a 5 dias por semana | CI dose baixa todos os dias |
Sintomas na maioria dos dias, ou despertar noturno uma vez por semana ou mais, já pedem o degrau 3. Asma muito descontrolada ou em exacerbação começa no degrau 4, com curso curto de corticoide oral se necessário.
Trilha 2 (alternativa) resgate = CI-SABA ou SABA
| Degrau | Manutenção |
| 1 | Nenhuma. CI-SABA se necessário (alívio anti-inflamatório isolado) |
| 2 | CI dose baixa diário |
| 3 | CI-LABA dose baixa |
| 4 | CI-LABA dose média ou alta |
| 5 | Acrescentar LAMA. Fenotipar e considerar biológico. CI-LABA dose alta |
SABA isolado não é mais recomendado em nenhum degrau, em nenhuma faixa etária a partir de 6 anos.
O que o GINA chama de dose baixa, média e alta
Dose diária total de corticoide inalatório em microgramas, adultos e adolescentes.
| Corticoide | Baixa | Média | Alta |
| Budesonida (DPI) | 200 a 400 | >400 a 800 | >800 |
| Beclometasona HFA, partícula padrão | 200 a 500 | >500 a 1000 | >1000 |
| Beclometasona HFA extrafina | 100 a 200 | >200 a 400 | >400 |
| Fluticasona propionato (DPI ou pMDI) | 100 a 250 | >250 a 500 | >500 |
| Fluticasona furoato (DPI) | 100 | não se aplica | 200 |
| Ciclesonida (extrafina) | 80 a 160 | >160 a 320 | >320 |
| Mometasona furoato (DPI) | 200 a 400 | não se aplica | >400 |
Não são doses equipotentes. São faixas definidas pelo GINA a partir do perfil de eficácia e segurança de cada fármaco e dispositivo, e valem para adultos e adolescentes. Em crianças de 6 a 11 anos os cortes são menores: budesonida DPI 100 a 200 é dose baixa, >200 a 400 é média, acima de 400 é alta.
Na prática, com os inaladores da Trilha 1
| Budesonida-formoterol 200/6 (DPI) | Baixa: 1 inalação 1 ou 2 vezes ao dia. Média: 2 inalações 2 vezes ao dia. Resgate: 1 inalação por vez |
| Beclometasona-formoterol 100/6 extrafina | Baixa: 1 jato 2 vezes ao dia. Média: 2 jatos 2 vezes ao dia. Resgate: 1 jato por vez |
Ajustes
- Subir se não controlado apesar de técnica inalatória e adesão adequadas. Reavalie técnica, adesão, comorbidades e gatilhos antes de escalar.
- Descer após 3 meses estável; reduzir cerca de 25% a 50% da dose de CI por vez. Não retirar o CI por completo em adultos.
- Uma única exacerbação com corticoide oral ou atendimento de urgência já é sinal de alerta: revise a estratégia de controle, não apenas o episódio agudo.
- Exacerbação leve em adultos, adolescentes e crianças ≥6 anos: CI-formoterol é opção de alívio, alternativa ao SABA.
- Alvo de oxigênio na crise: SpO₂ de 92% a 95% em adultos e adolescentes, 94% a 98% em crianças de 6 a 11 anos. Não ofertar O₂ de rotina com SpO₂ ≥92%.
Base: GINA 2026.
Controle dos sintomas nas últimas 4 semanas
Marque o que o paciente responder sim.
Asma controlada
nenhuma resposta afirmativa
| Nenhuma | Controlada |
| 1 ou 2 | Parcialmente controlada |
| 3 ou 4 | Não controlada |
O uso de resgate antes de exercício não entra na contagem. Na Trilha 1, conta o CI-formoterol usado como alívio.
Avaliar também o risco futuro
- Exacerbação, corticoide oral ou internação no último ano.
- VEF₁ baixo, sobretudo <60% do previsto.
- Má adesão, técnica inalatória incorreta, nunca ter usado CI.
- Tabagismo, exposição ocupacional, poluição, alérgeno com sensibilização.
- Obesidade, rinossinusite crônica, DRGE, gestação, eosinofilia, FeNO alto.
- Uso excessivo de SABA: ≥3 frascos por ano aumenta o risco de exacerbação.
Base: GINA 2026.
Diagnóstico
Sintomas respiratórios crônicos + exposição de risco + VEF₁/CVF pós-broncodilatador < 0,70.
Gravidade da obstrução, GOLD 1 a 4 (VEF₁ pós-BD)
| GOLD 1 | ≥ 80% (leve) |
| GOLD 2 | 50% a 79% (moderada) |
| GOLD 3 | 30% a 49% (grave) |
| GOLD 4 | < 30% (muito grave) |
Grupos A, B e E
| Grupo | Critério | Início do tratamento |
| A | Sem exacerbação moderada ou grave no último ano + mMRC 0 ou 1, ou CAT <10 | Um broncodilatador de longa ação (LAMA ou LABA) |
| B | Sem exacerbação moderada ou grave no último ano + mMRC ≥2 ou CAT ≥10 | LABA + LAMA |
| E | ≥1 exacerbação moderada ou grave no último ano, independentemente dos sintomas | LABA + LAMA; acrescentar CI já de início se eosinófilos ≥300/µL |
Mudança do GOLD 2026: uma única exacerbação moderada já classifica como grupo E. Antes eram necessárias duas moderadas ou uma internação. A e B seguem inalterados.
Seguimento, escolha o eixo dominante
- Dispneia: escalar para LABA + LAMA. Antes de trocar de droga, revise técnica inalatória, adesão e causas não relacionadas à DPOC.
- Exacerbações: LABA + LAMA → acrescentar CI se eosinófilos ≥100/µL (benefício maior ≥300).
- Se persistir exacerbando em terapia tripla: roflumilaste se VEF₁ <50% e bronquite crônica; azitromicina, de preferência em ex-fumante; dupilumabe ou mepolizumabe no fenótipo tipo 2 com eosinófilos ≥300/µL.
- Retirar o CI se pneumonias de repetição, eosinófilos baixos ou indicação inicial inadequada.
Não farmacológico, o que muda desfecho
- Cessação do tabagismo, com apoio farmacológico.
- Reabilitação pulmonar, sobretudo grupos B e E e após exacerbação.
- Vacinas: influenza, pneumocócica, COVID-19, coqueluche, VSR, zóster.
- Oxigenoterapia prolongada se PaO₂ ≤55 mmHg ou SpO₂ ≤88%, ou PaO₂ de 56 a 59 mmHg com cor pulmonale ou policitemia.
Exacerbação
| Leve | Só broncodilatador de curta ação |
| Moderada | Broncodilatador + corticoide oral e/ou antibiótico |
| Grave | Emergência ou internação; avaliar insuficiência respiratória |
Corticoide oral por 5 dias. Antibiótico se aumento de dispneia, volume e purulência do escarro, ou se ventilação mecânica. VNI é primeira escolha na acidose respiratória com pH ≤7,35.
Base: GOLD 2026.
Resumo de consulta rápida. Confira sempre o relatório original antes de decisões clínicas.